Visitada pela musa
Aquele em que eu conto meu sonho vampiresco de um amor para a vida toda
Sempre quis ser daquelas escritoras cujas histórias aparecem, do fino ar, como um presente do divino. Realizei meu sonho. Acordei de um sonho que é um conto completo, com início, meio e fim, elementos de bizarro e romance.
Minha personagem está participando de uma espécie de jogo da vida, um circuito em que ela tem de tomar decisões que afetariam a sua vida. Numa dessas encruzilhadas, ela encontra o amor da sua vida, um vampiro, abrindo mão de outros pretendentes, também vampiros. Ela vive a vida inteira com essa pessoa que curiosamente lembra muito meu ex.
Corta para uma cena dela velhinha e seu vampiro-amor-da-vida entra no cômodo para encontrá-la. Ela está dormindo e pequenas bolhas se formam acima da sua cabeça, são os pensamentos inconscientes dela. Ao comer essas bolhas, o vampiro pode ter acesso ao que ela está pensando enquanto sonha, ela se arrepende das escolhas que tomou, repensa sua vida, se tomou a decisão certa na encruzilhada - uma encruzilhada que envolveu algo sobre um acidente de carro que quebrou suas unhas perfeitas e a obrigou a ir fazer uma manicure.
Da perspectiva do amor, ele retoma a história do jogo da companheira e fica evidente que ele temperou as situações para que ela o escolhesse. Em verdade, se deixada para tomar decisões por si mesma, ela teria escolhido outro companheiro, sua vida toda foi manufaturada. Fim de cena.
Só posso crer que estes sonhos vem de ter terminado de ler as Crônicas Vampirescas. Não é a primeira vez que sonho com vampiros, já sonhei com o Lestat também. Para além dele, as crônicas têm personagens marcantes. São treze livros e cheguei ao fim dessa leitura neste mês. Ainda me faltam dois livros que acompanham a série.
Com altos e baixos, é uma série que vai permanecer comigo através dos tempos. Perceber toda a evolução da história, de seus personagens, a chegada de novos personagens, novas aventuras, sempre se reinventando, com certeza foi um marco na minha trajetória de leitora.
Não sei se hoje em dia ainda é possível escrever uma série tão longa e manter seus leitores engajados até o final, torcendo para que tudo fique bem no final. Com nossa concentração tomada por outras coisas, nem uma série televisiva consegue esse nível de constância e renovação, geralmente encontrando seu fim - ainda que não reconhecido - pela terceira ou quarta temporada. Imagine criar treze (ou quinze, contando com os livros vicinais) histórias diversas.
Um beijo para a Anne Rice.
Até mais

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